Atendimento
Acolhimento
Todo tratamento começa por ouvir. Quem procura ajuda em saúde mental muitas vezes chega com dúvidas, receios ou experiências anteriores de não ter sido compreendido. Meu trabalho começa por levar a sério o que a pessoa traz — sua história, seu contexto e suas preocupações — e construir, a partir disso, um cuidado feito em conjunto.
A entrevista psiquiátrica
A entrevista psiquiátrica é o coração do encontro clínico. Além de investigar os sintomas, ela depende da combinação entre conhecimento técnico e a qualidade da relação: autenticidade, empatia e a construção de uma aliança terapêutica sólida. É a partir dessa relação de confiança que se torna possível conhecer cada pessoa em profundidade. A abrangência da entrevista varia conforme o caso e as prioridades de cada momento, mas seu propósito é sempre o mesmo: compreender a pessoa de forma integral.

Se você está considerando iniciar um acompanhamento, o primeiro passo é uma conversa.
Agendar uma conversaA avaliação inicial
As primeiras consultas têm um papel central. São dedicadas a conhecer a pessoa para além dos sintomas: sua história, seu contexto de vida, seus relacionamentos e as experiências que a trouxeram até aqui. É também o momento de uma avaliação cuidadosa — a investigação dos sintomas, a construção das primeiras hipóteses diagnósticas e a compreensão de como as dificuldades se desenvolveram ao longo do tempo. Desse processo busca-se construir, sempre que possível, uma compreensão compartilhada do que está acontecendo, a partir da qual definimos juntos os próximos passos do tratamento.
O acompanhamento
O acompanhamento psiquiátrico é um processo contínuo, em que o cuidado se ajusta a cada fase. As consultas de seguimento são um espaço para revisar o que está funcionando, repensar caminhos e ajustar condutas. Com o tempo, conhecer melhor cada paciente refina a compreensão do caso e fortalece a aliança terapêutica — o que torna as intervenções mais precisas e efetivas. É um trabalho que vai além da prescrição: acompanha a pessoa, e não apenas a doença.
Um cuidado que integra o médico e o psicoterápico
O tratamento pode envolver medicação, psicoterapia ou a combinação das duas — a escolha depende de cada caso e é definida de forma clara e compartilhada. Quando indicada, a medicação é um recurso importante, usada de forma criteriosa e transparente, com explicação sobre objetivos, expectativas e possíveis efeitos. A psicoterapia, por sua vez, é parte central do tratamento de muitas pessoas. A consulta psiquiátrica tem a particularidade de poder articular esses dois âmbitos — o médico e o psicoterápico — seja conduzindo-os em conjunto, seja em colaboração com o psicoterapeuta que acompanha a pessoa. O que orienta as decisões é sempre a compreensão integral de cada pessoa.
Princípios e fatores comuns
Décadas de pesquisa em psicoterapia mostram que, para além das técnicas específicas de cada abordagem, há fatores comuns por trás dos bons resultados: o vínculo de confiança, a colaboração ativa, a escuta cuidadosa e um entendimento conjunto sobre o problema e o tratamento. São esses os princípios que orientam a minha prática — um cuidado que valoriza a relação terapêutica e procura, acima de tudo, ampliar a autonomia de cada pessoa.
Como a mudança acontece
Tão importante quanto definir o tratamento é entender como a mudança realmente acontece. Em qualquer abordagem, alguns processos costumam estar no centro da melhora: compreender melhor as próprias emoções e reações, desenvolver formas mais flexíveis de lidar com elas e experimentar, na própria relação terapêutica, novos modos de se relacionar.
A participação ativa da pessoa é parte essencial desse caminho — o tratamento busca fortalecer a sua agência e a sua autonomia. A mudança também depende de aspectos concretos do dia a dia, como a adesão ao tratamento medicamentoso, quando indicado, e o cuidado com a própria saúde física. É a soma de tudo isso que permite que as melhoras se sustentem para além das consultas. Acompanhar de perto esses processos é o que permite ajustar o cuidado ao que realmente faz diferença para cada pessoa.
Personalidade e traços: por que isso importa no tratamento
Cada pessoa tem um jeito próprio de sentir, pensar e se relacionar. Os modelos dimensionais de personalidade ajudam a compreender esse funcionamento a partir de traços que existem em todos nós, em diferentes intensidades, e que influenciam como lidamos com o estresse, com os relacionamentos e com as próprias emoções. Compreender esse funcionamento é parte central de um cuidado personalizado.
Muitos desses traços estão ligados ao temperamento e tendem a permanecer relativamente estáveis ao longo da vida. O funcionamento, porém, pode mudar: com o desenvolvimento de novas habilidades e com o tratamento, é possível aprender a lidar de formas mais flexíveis e saudáveis com as próprias características. Além disso, um transtorno mental ou uma doença física também podem alterar temporariamente a forma como a pessoa pensa, sente e se comporta — e distinguir o que é traço do que é expressão de um quadro clínico é essencial para definir o tratamento mais adequado.
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